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terça-feira, 25 de abril de 2017

0 Resenha [livro] - O Nome da Rosa, de Umberto Eco

Olá, pessoas!

Vamos começar a semana com a resenha de um livro clássico?

Cumprindo com o desafio do mês de abril proposto pelo Desafio Literário Diminuindo a Pilha 2017, trago a vocês a resenha do livro O Nome da Rosa, de Umberto Eco, publicado pela primeira vez na década de 80.

O Nome da Rosa
Il Nome della Rosa
Autor: Umberto Eco
Editora: Nova Fronteira
Gênero: romance, suspense
Ano: 1980
562 p.


*Livro emprestado ao/a blogueiro/a*

Sinopse:
Durante a última semana de novembro de 1327, em um mosteiro franciscano italiano, paira a suspeita de que os monges estejam cometendo heresias. O frei Guilherme de Baskerville é, então, enviado para investigar o caso, mas tem sua missão interrompida por excêntricos assassinatos. A morte, em circunstâncias insólitas, de sete monges em sete dias, conduz uma narrativa violenta, que atrai por seu humor, crueldade e sedução erótica.






Há muitos e muitos anos passados... Mentira, foi logo ali em 1994, eu tive de fazer um trabalho de história com o filme O Nome da Rosa. Soube que era uma adaptação do livro homônimo, mas nunca o tinha lido. Até agora!

A história se passa na Itália medieval. Ano 1326, mês de novembro, quando o inverno está chegando ao seu auge. Tudo deveria ir relativamente bem na Abadia X, local onde aconteceria um fórum debate bate-boca encontro entre os padres franciscanos a favor do voto de pobreza e os representantes do Vaticano, que não era tão a favor assim.


Frei Guilherme de Baskerville, um famoso e justo inquisidor inglês, juntamente com seu discípulo e noviço beneditino Adso de Molk, chegam na Abadia que se encontra sob as ordens do Abade Abbone, apenas para mediar o tal encontro. O problema é que alguns frades começaram a aparecer mortos. Assim, bem misteriosamente, seguindo as escrituras das sete trombetas do Apocalipse.


"Assim era meu mestre. Sabia ler não apenas no grande livro da natureza, mas também no modo como os monges liam os livros da literatura, e pensavam através dele. Dote que, como veríamos, lhe seria bastante útil nos dias que se seguiram."

A primeira morte aconteceu um dia antes da chegada de Frei Guilherme e o Abade pediu então um favor: investigar o que ocorre para que tudo dê certo no encontro com os representantes do Vaticano.

Ao longo da narrativa, vamos conhecer não apenas vários personagens interligados entre si pela história da Inquisição e da Igreja, como também por conta das mortes na Abadia. Acompanhamos Guilherme e seu aluno tentando elucidar o caso de forma justa, analítica e cientificamente, baseado em conjecturas a partir de observação e muita lógica.


"Mesmo um inquisidor pode ser impelido pelo diabo."

Aos poucos, descobrem os segredos da Abadia e da sua biblioteca que tanto o Abade como o bibliotecário tentam manter ocultos, além de outros segredos como a troca de favores sexuais com moradores famintas da vila e os seguidores de Frei Dulcino, um frei a favor da mutilação em praça pública de cardeais ostentosos do Vaticano.

Frei Guilherme, um seguidor e estudioso de Francis Bacon, um dos maiores filósofos da época, é extremamente perspicaz, inteligente, com um olhar arguto a la Sherlock. E tem as melhores falas e constatações do livro todo. Adso, como noviço, é bem ingênuo, mas tem lá sua inteligência. E é um exímio aluno, aprendendo tudo de forma rápida, tirando suas próprias conclusões com o passar do tempo.


"Frei Guilherme, por que insistis em falar de ações criminosas sem pronunciar-vos sobre sua causa diabólica? / Porque raciocinar sobre as causas e os efeitos é coisa bastante difícil, da qual acho que o único juiz possível é Deus."

Uma das melhores narrativas foi a descoberta do segredo da biblioteca, como ela é organizada, como se entra, se sai e as salas secretas que guardam volumes ditos pecaminosos. Aliás... O nome do livro é uma alusão à biblioteca: a "Rosa" é a palavra escrita (o conhecimento pela leitura), a verdadeira culpada pelos assassinatos SPOILER EM BRANCO MARQUE PARA LER.

Todo o livro se passa em sete dias, representando as 7 partes em que o livro se divide. Cada parte conta com capítulos separados de acordo com a hora do dia (Primeira, Sexta, Vespertina, etc), cuja explicação está bem no começo da leitura. Isso ajuda a nos situar. Acontecem muitas coisas em 7 dias!

A edição que li me foi cedida em empréstimo pela minha chefe de laboratório, a Prof. Vivian Rumjanek. É uma edição de 1983, e já bem gasta, de forma que não vou me estender muito na análise dela. Cabe dizer que as fontes estavam ótimas e margens justificadas, dando aspecto limpo à leitura. Única coisa chata foram os diálogos em aspas, prefiro os travessões.

Revisão impecável, nenhuma vírgula fora do lugar. Entretanto, os críticos literários atuais são capazes de ter uma síncope ao fazer uma análise crítica deste livro de Umberto Eco tamanha a quantidade de verbetes, pronomes e expressões que se repetem em uma mesma frase. E, já sendo aquariana do contra, levando em consideração a época em que se passa a história, é perfeitamente plausível esse tipo de construção narrativa.

A capa desta edição é bem simples, mas muito representativa. Em fundo vermelho alaranjado, temos a imagem de pilastras e portais da entrada de uma Igreja no estilo medieval., com abóboda arredondada, detalhes de afrescos, parecendo mesmo uma construção bem antiga, em tons que vão do bege ao marrom.

Como opinião final, posso dizer, sem sombra de dúvidas, que Umberto Eco é um gênio. Logo no começo do livro, há um prólogo explicando como Eco conseguiu pôr suas mãos no manuscrito dessa obra. Assim, ficamos na dúvida: é uma ficção histórica ou é um relato verídico?

A história da Igreja, lutas e guerras entre "facções", a política do Vaticano e de outras "linhagens" cristãs, bem como a "entrevista" inquisitorial, tudo é bem detalhado e explicado. Se eu nunca tinha visto ou lido sobre as guerras entre Franciscanos e Católicos Apostólicos, posso afirmar agora que já sei bastante.

Mesmo essa explicação toda não tornou o livro chato. Pelo contrário, como eu gosto dessa narrativa histórica, pra mim, só enobreceu a leitura. Tais conjecturas me fizeram comparar com nossa política brasileira atual e, particularmente, não vi diferença alguma entre Itália medieval e tempos modernos.

É extremamente incrível as questões de cunho religioso e filosófico que ele lança aos leitores dentro das falas e discussões entre os personagens. Acabamos de ler e ficamos pensando na profundidade e na veracidade do que lemos.

Dono de uma narrativa detalhista, nunca mais verei a Inquisição como antes. Sim, eu já sabia das sessões de tortura e de como é possível mudar um ponto de vista para que ele esteja a seu favor, mas convenhamos, inquisidores faziam será que ainda fazem? isso de forma habilidosa demais. Me-do!


"Diante do coro, onde no dia anterior se destacava um grande recipiente com o sangue dos porcos, um estranho objeto, em forma de cruz, despontava agora da borda da tina, como se fossem dois paus fincados no chão, de se cobrir de trapos para assustar os pássaros. Eram porém duas pernas humanas, as pernas de um homem fincado de cabeça para baixo na vasilha de sangue."

Foi adaptado para filme na década de 80, tendo no elenco Sean Connery e Christian Slater. Foi uma boa adaptação, apesar de dar um foco maior do que o devido a uma cena do livro que tem traços de erotismo entre o noviço e uma camponesa.



**infelizmente, não achei trailer com legendas


Um suspense triste, com morte de tradutores especialistas em grego, árabe, alemão, que nos mostra o perigo que o conhecimento e a curiosidade podem causar. Genial a forma como o assassino mata suas vítimas. O assassino é inteligente e nunca que eu esperaria ser quem é. E se é verdadeira a alusão ao Apocalipse? Ah! Nem vou contar...

Aqui, rir é pecado. E pode matar.




Sobre o AUTOR:

Nascido em 1932, Umberto Eco construiu sólida carreira como professor de semiótica na Universidade de Bolonha. Ensaísta de renome mundial, dedicou-se a temas como estética, semiótica, filosofia da linguagem, teoria da literatura e da arte e sociologia da cultura. Autor de artigos de opinião nos jornais Espresso e La Repubblica, estreou como romancista com O Nome da Rosa, em 1980. Depois do imenso sucesso colhido na Itália e em todo o mundo, escreveu O Pêndulo de Foucault (1988), A Ilha do Dia Anterior (1994) e Baudolino (2000). Seus textos jornalísticos estão reunidos em Diário Mínimo (1963), O Segundo Diário Mínimo (1990) e A Coruja de Minerva (2000). Durante os anos 80, Eco produziu textos relevantes na área de semiótica, bem como fornecer uma nova compreensão da disciplina, sendo influenciado principalmente por filósofos como Immanuel Kant e Charles Sanders Peirce. São notáveis a coletânea de ensaios As formas do conteúdo (1971) e o livro de grande fôlego Tratado geral de semiótica (1975). Umberto Eco morreu de câncer, em sua residência, em Milão, na noite de 19 de fevereiro de 2016.


Esse livro faz parte do Desafio Literário Diminuindo a Pilha 2017, como leitura de ABRIL: Livro CLÁSSICO.


Apesar de conhecer a história há tempos, é meu primeiro contato com a escrita do Sr. Eco e eu gostei bastante!

Já me recomendaram outros livros dele e eu já estou gastando minha poupança procurando para ler!

Espero que tenham gostado! Apostem em clássicos de vez em quando!

Boa leitura! Até + ver!


Nuccia De Cicco é bióloga, Doutora em Bioquímica, escritora, poetisa, bailarina e blogueira. Carioca de paixão de Santa Teresa, é apaixonada por livros, seriados, tatuagens e lambidas caninas, além de ter uma queda saudável por cafajestes. Surda desde os 27 anos, é co-autora em nove antologias e publicou o livro “Pérolas da minha surdez”, uma obra sobre luta e força de vontade. Todas as suas facetas são mostradas no blog “As 1001 Nuccias”. Nele, a literatura impera!

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