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sexta-feira, 3 de março de 2017

8 Resenha [livro] - Coisas de Menino, de Alexandre Braoios

Bom dia, queridos!

Espero que o carnaval de vocês tenha sido e continue sendo bacana.

Eu não estive na vibe a-la-la-ô na infância talvez, mas curti de outro jeito: livros, filmes e seriados.

Por isso mesmo, tem resenha de livro nacional prontinha para vocês!

Vamos conhecer o livro Coisas de Menino, de Alexandre Braoios, publicado pela nossa parceira Editora Illuminare!

Coisas de Menino
Autor: Alexandre Braoios
Editora: Illuminare
Gênero: drama
Ano: 2016
267 p.

SKOOB | FANPAGE

*Obra cedida pela EDITORA no formato físico para resenha referente a parceria 2017. 
As opiniões são exclusivamente nossas.
Não houve nenhum tipo de intervenção em nossos comentários.*

Sinopse:
Sabe aquela imagem de pedófilo com cara de psicopata perverso? Esqueça! O abuso sexual infantil tem uma face mais agradável. A violência psicológica pode ser muito mais perversa que a física. Nesse romance baseado em uma história real, conheceremos Raul, um professor carismático e idolatrado. Mas, por trás do seu sorriso amigável, esconde-se um homem com um desejo incontrolável por crianças. No fim de sua vida, uma enfermeira dedicada torna-se sua confidente. Seu destino agora está nas mãos de Andrea. Ela manterá seu juramento profissional ou tentará fazê-lo pagar pelo seus atos? Que destino teve Piccolo, o menino de 8 anos que foi uma vítima? Andrea tentará convencê-lo a defrontar-se com sua vítima, trinta anos depois. Entre na consciência de um abusador infantil e de sua vítima. Há perdão para esse crime? Toda uma vida pode ser totalmente transformada por causa de um dia apenas? Uma coisa é certa: o abuso sexual infantil é só o começo de uma longa jornada de dor e culpa.



Alguns livros não foram escritos só por escrever. Eles vieram para impactar, para destruir suas concepções do mundinho em que vive, para mostrar o lado cruel da vida e que existem pessoas que sacodem a poeira com muito orgulho. Coisas de Menino é assim.



A história do livro parece simples, mas é cheia de nuances. Raul é um professor de história e da escolinha de futebol de Cinco Morros, uma pequena cidade no interior do Brasil, que se descobre com ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica). Essa doença neurodegenerativa vai paralisando seu corpo aos poucos, mas afeta muito pouco o consciente do portador.


"Eu não quero dormir. Quero morrer e você sabe disso. Não quero mais conviver com esses fantasmas. Quando não me aparecem em pensamento, aparecem nos meus sonhos, noite após noite. Pra que dormir?"

Com o passar do tempo e da evolução da doença, Raul, já preso a uma cama hospitalar dentro de sua própria casa e sob cuidados permanentes de uma enfermeira, sente que precisa desabafar, aliviar seus pecados e culpas do passado. Só que os pecados são terríveis, ele não pode desabafar com qualquer pessoa, como esposa ou filho. E escolhe a enfermeira, Andrea.


Andrea é uma enfermeira com um passado muito triste. Não descobrimos muito bem o que aconteceu com seus pais, se a expulsaram ou se ela fugiu. Sabe-se apenas que foi acolhida por uma tia e depois mudou-se para Europa onde conheceu seu marido. Porém... A tristeza retorna a sua vida quando decidem retornar ao Brasil e adotar uma criança, acontece uma tragédia. Desde então, Andrea tenta retornar a sua cidade natal, e está trabalhando como enfermeira particular, primeiro de D. Lúcia, uma mãe oprimida pelo marido, e agora de Raul.

Após diversos pedidos para que Andrea pusesse um fim ao seu sofrimento sendo negado todas as vezes, Raul desiste e decide desabafar com ela, contar-lhe toda sua vida. E começa com a bomba principal do livro: ele abusou de um menino que era seu aluno, o pequeno Piccolo.


"Com a concordância de Andrea, Raul vacilou um pouco. Agora que conseguira sua ouvinte, teve medo do julgamento, do que ela poderia fazer com as informações. Mas ele não teria outras oportunidades. Depois de alguns minutos de avaliação, concluiu que o máximo que poderia acontecer era perder a enfermeira: Andrea, quando eu era jovem, logo que cheguei nessa cidade... eu era muito novo... Eu abusei sexualmente de um menino."

Não vou me estender na história, pois daqui em diante tudo é spoiler. Mas anotem, esse resumo está nos primeiros três capítulos.


A edição está simples, nenhuma firula mirabolante nos inícios de capítulos, o que condiz com o conteúdo do livro. É pra ser taciturno, sério, impactante, desafiador. As fontes são um pouco pequenas, o papel amarelo e o livro está no tamanho americano (16 x 23 cm - um pouco maior que o A5) O único porém é a revisão. Erros de português foram poucos, mas o esquecimento das vírgulas de vocativos foi o pecado do livro.

A capa é representativa de uma cena do livro, combina com a história e a simboliza muito bem. Descrição da capa #pracegover: É formada por duas imagens em planos diferentes. Em um plano maior, temos o semblante de um homem adulto, cujo rosto está totalmente em preto, endo ocupado pela imagem em plano menor. Esta se trata de um menino, uma criança sentada nos degraus de uma escada, iluminada pela luz que vem da porta logo acima. 

E, por fim, minha opinião. Pensa num livro em que você sente ódio e repulsa por praticamente todos os personagens, com exceção da criança... Pensa em um livro que você não consegue ler sem precisar urgentemente de pausas para respirar, pois o nojo é grande demais...


Não é só Raul tentando criar justificativas e desculpas pelo que fez, e se recusando assumir que foi um crime, enfatizando o jeito de ser da criança. Temos o pior do ser humano em todos os aspectos. É as atitudes de Andrea quando descobre, o pai homofóbico, o irmão mais velho indo pelo mesmo caminho, os colegas de escola abusivos e preconceituosos, uma criança sozinha, indefesa, sem entender nada, confiando no seu professor, justamente aquele que o trai. Do pior jeito.

O nojo vinha de mim também... Por que se eu estivesse na situação de Andrea, ouvindo aquilo, será que minha reação com o paciente seria diferente? Será mesmo?


"Não tenho condições de limpar o senhor agora, preciso me deitar. (...) O senhor guardou essa sujeira durante todos esses anos. Tudo isso estava dentro do senhor. Acho que uma noite sentindo o cheiro dela e vendo sua cor nojenta vai lhe fazer bem. Boa noite."

A narrativa é bem detalhista, as descrições de cenas são quase poéticas, com metáforas muito bem encaixadas. O autor mostrou que tem um estilo próprio e que o domina bem. Não há diálogos exagerados, não são crus ou levianos. Os personagens tem personalidade definida, contudo mudam conforme o decorrer da história, tornando-a o mais verossímil possível. Dividido em três partes (Raul, o menino Piccolo e Andrea), é narrado todo em terceira pessoa, nos deixando com toda a visão de cada personagem bem ampliada. 


Um livro que mostra o lado sombrio das pessoas, mas que termina de uma forma linda. Com uma reviravolta espetacular, aprendemos as consequências de preconceitos e abusos infantis, aprendemos que confiança tem de ser muito bem medida e que o mal pode estar casado com você, ser seu pai, seu amigo e mentor. Aprendemos que deixar o passado para trás requer rever seus conceitos e sua própria personalidade. Aprendemos que viver é uma conquista.


"Como eu nunca percebi nada de anormal todos esses anos? Ele sempre viveu rodeado de crianças, se ele fez uma vez, deve ter feito outras vezes. Meu Deus!... Esses anos todos sempre admirei o jeito dele com as crianças, sempre tão paciente, tão carinhoso...Meu Deus! A gente vê isso na televisão e não imagina que pode acontecer tão perto de nós."

Triste, dramático, realista, espetacular. Um livro que te muda, te pisa e humilha e te engrandece. Baseado em fatos reais!!! E eu penso em todas as crianças que passam pelo mesmo.... Cara......... Ao autor, meus parabéns pela obra. Merecido!




Sobre o AUTOR:


Biomédico, docente da Universidade Federal de Goiás – Regional Jataí. Possui contos publicados nas coletânea: “Contos de Som e Silêncio” e nas Antologias: “Sombras e Desejos”, “Contos de um Natal sem Luz”, “Eu me Ofereço: um tributo a Stephen King”, “Vícios, Taras e Medos”, “Mulheres e Meninas”, “Perdoe-me!” e “Meu lado sombrio”.

MAIL: ab31@uol.com.br



À Editora, muito obrigada pela oportunidade de ler um livro tão especial e tão bem escrito.

Ao Alexandre, a quem conheço pessoalmente, parabéns! Só me falta o autógrafo agora, quem sabe na Bienal 2017?

Aos leitores do blog, obrigada por terem acompanhado a gente nessa resenha e em todas as outras! Vocês são 10!

Boa leitura!

Até + ver!






Nuccia De Cicco é bióloga, Doutora em Bioquímica, escritora, poetisa, bailarina e blogueira. Carioca de paixão de Santa Teresa, é apaixonada por livros, seriados, tatuagens e lambidas caninas, além de ter uma queda saudável por cafajestes. Surda desde os 27 anos, é co-autora em nove antologias e publicou o livro “Pérolas da minha surdez”, uma obra sobre luta e força de vontade. Todas as suas facetas são mostradas no blog “As 1001 Nuccias”. Nele, a literatura impera!

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8 comentários:

  1. Olá!!

    Não conheci ainda o autor, mas fiquei bem intrigada com a premissa do livro. Gosto desse tipo de livros e tenho certeza que vou adorar a leitura. Vou procurar onde posso adquirir o livro.

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  2. Olá, tudo bem?
    UAU, que história mais interessante! Onde eu adquiro um exemplar?
    Um beijo.

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  3. Olá minha querida Nuccia, agradeço imensamente sua resenha. Para quem tenha interesse em adquirir o livro, as vendas são feitas diretamente comigo pelo email livro.coisasdemenino@gmail.com

    Beijos

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  4. Nossa Nuu que livro é esse, que história, meu Deus....
    Amei a resenha e o fato de o autor ter tido coragem de tocar neste assunto tão delicado, parece mesmo um livro bastante complicado de se ler, mas eu adoraria lê -lo. A capa está bonita, me transmite tristeza tanto da criança quanto do abusador.
    Sensacional
    Beijuh

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  5. Olá!

    Gente, que livro é esse? Não o conhecia, mas a premissa é muito pesada, ainda não absorvi toda a trama! Não sei se o leria, porque meu estômago aguenta muita coisa, mas abusos não. Porém gostei de sua sinceridade ao resenhar a obra. Vou pesquisar mais sobre ela e quem sabe arriscar.

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  6. Não conhecia o livro mas adorei a coragem do autor de abordar esse assunto, gostei muito e leria com certeza. E espero ler em breve é claro.

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  7. Oi nu, tudo bem?
    Ainda não conhecia esse livro, mas acho muito interessante essa questão de o leitor sentir ódio e repulsa por praticamente todos os personagens. Essa ideia me agrada bastante, apesar de eu ter medo dessa sensação, acho muito legal a ideia se senti-las e vou mais do que anotar a dica de leitura.
    Beijinhos

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  8. Olá Nu, tudo bem?
    Apesar de o livro me parecer muito bom, e ainda ser nacional que amo, o tema é um pouco pesado pra mim, então passo essa dica a diante pra quem tiver estômago mais forte.
    Beijos

    Giu

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