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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

9 [Traça Literária] Entrevista: Anderson Borges Costa!!!

Olá amores ❤

Hoje temos Entrevista com Anderson Borges Costa, autor de Rua Direita
!!!

Eu sou a Ingrid, autora e nova Colaboradora, autointitulada "traça".

Anderson Borges Costa



Biografia

Anderson Borges Costa, brasileiro, é coordenador do Departamento de Português da escola internacional Saint Nicholas, em Pinheiros, onde também atua como professor de Português e de Literatura Brasileira. É professor de Inglês no curso Cel Lep. Formado e pós-graduado pela Universidade de São Paulo em Letras (Português, Inglês e Alemão), é crítico literário e resenhista de livros para várias revistas de arte e literatura, como a Germina, onde assina a coluna "Adrenalina nas Entrelinhas". Em setembro, lançará seu segundo livro, desta vez, de contos, cujo título é " O Livro que não Escrevi" (Giostri Editora).



Rua Direita

Ano: 2013 / Páginas: 160
Idioma: português
Editora: Chiado


Sinopse

O romance se passa em um dia qualquer (talvez algumas horas) na vida de um homem na rua Direita, no centro da cidade de São Paulo. Ele tem fome e busca se alimentar. Durante sua busca, o protagonista vê desfilar pela rua, de forma desordenada como a arquitetura da cidade de São Paulo, várias manifestações e aspectos da cultura brasileira, como o carnaval, o futebol e as injustiças sociais. A fome do personagem principal é uma referência à Antropofagia, de Oswald de Andrade. A narrativa está amarrada por uma cachoeira de citações e referências literárias, musicais, cinematográficas, artísticas e históricas, construindo uma espécie de teia sobre a qual se tece o enredo.


[Traça Literária]

Entrevista


1. Como surgiu a ideia para seu primeiro romance “Rua Direita”?

Anderson Borges Costa: A ideia de escrever um história que se passasse no centro da minha cidade natal surgiu no em 2003. Como no ano seguinte, 2004, a cidade de São Paulo comemoraria o aniversário de 450 anos, a mídia martelava, a todo momento, imagens, histórias e personagens que traduziam a capital paulista. Nasceu assim, da enorme quantidade de estímulos que era veiculada naquele momento, a ideia de escrever uma história sobre a maior metrópole do Brasil. Como quase todos os textos que eu escrevo, “Rua Direita” começou, na minha cabeça, como um conto, uma narrativa curta. Após perceber que já havia escrito umas 50 páginas e que ainda havia fôlego para desenvolver a história, me dei conta de que estava escrevendo um romance. Aliás, em meu processo de criação, eu me surpreendo o tempo todo com o que eu mesmo escrevo, como se o eu-escritor fosse uma pessoa diferente do eu-leitor, o leitor que lê o que o eu-escritor produz. Portanto eu me estranho e me descubro sempre enquanto escrevo.

2. Porque usar uma cantiga antiga no decorrer dos capítulos?

Anderson Borges Costa: O romance “Rua Direita” traz a história de um homem faminto que anda pelo calçadão no centro de São Paulo. Não se sabe de onde ele veio, nem para onde ele vai. Quem lê o livro geralmente se questiona sobre a escassez de informação que é fornecida sobre o protagonista. Ele se vê preso dentro da rua Direita, querendo saciar sua fome. A fome que sente é física, mas é também fome de conhecimento, fome de entendimento, fome de consciência. Por isso, ele trava uma espécie de luta contra a fome. Neste entrave, se vê preso dentro da rua Direita, dentro de si mesmo, dentro de uma canção anônima, cuja letra diz: “Se essa rua, se essa rua fosse minha, eu mandava, eu mandava ladrilhar”. Cada capítulo é uma palavra da canção; o primeiro capítulo se chama “Se”, o segundo se chama “Essa” e assim por diante. Neste sentido, o próprio leitor se vê encarcerado dentro da rua Direita, dentro do personagem. A narrativa é construída através de referências a filmes, a livros, a pinturas, a outros livros, brasileiros e estrangeiros. De certa maneira, “Rua Direita” traduz o processo pelo qual o Brasil é construído, uma colcha de retalhos de influências que fluem para o centro do país, metaforizado nesta via central em São Paulo. A cantiga é o eco que se ouve durante a leitura deste caos existencial.

3. Contém fatos verídicos? O próprio personagem é baseado em alguém?

Anderson Borges Costa: “Rua Direita” é 100% ficção, o que significa dizer que é tão verídico como qualquer realidade inventada.

4. Enquanto lia tive a impressão de que você estava durante todo o período da escrita sentado em algum lugar daquela rua observando o cenário e os transeuntes, chegou mesmo a fazer isso?

Anderson Borges Costa: Sim, fiz um trabalho de campo enquanto escrevia o livro. Visitei a rua Direita umas 4 vezes e observava as pessoas caminhando com pressa. Por aquela rua passa gente com muito dinheiro, pois há bancos e escritórios importantes sediados ali. Também passam estudantes, passam trabalhadores de lojas, de restaurantes, sem-teto, gente de todos os extratos sociais, que cruza a cidade e, neste cruzamento, se encontra no calçadão desta via no centro. É um centro nervoso, um centro comercial, um centro cultural: todos perdidos no centro de São Paulo, anônimos, ouvindo uma canção anônima, inconscientes, presos em um dia interminável. Nas vezes em que visitei a rua Direita para pesquisar durante a escrita do livro (e nas lembranças que tenho da rua quando eu era criança, quando ali eu ia com minha mãe e meus irmãos fazer compras nas Lojas Americanas e Lojas Brasileiras), percebi que algumas lojas, entre uma visita e outra, fecharam, outras se abriram. A rua, portanto, se transformou muito do início ao fim do processo de construção do livro (que levou 10 anos). A rua Direita que existia quando comecei a escrever a história é uma rua diferente daquela que havia quando a terminei. E sei que ela já é diferente da rua Direita que está lá hoje. A rua Direita se constrói através de sua destruição permanente, assim como o Brasil, que parece um país em permanente construção, que nunca ficará pronto. Portanto, eu enxergo a rua Direita como uma metáfora do Brasil, embora o romance se permite ser interpretado como uma história universal, já que aborda questões existenciais.

5. Qual o seu maior objetivo ao escrever “Rua Direita”?

Anderson Borges Costa: Como eu disse na questão anterior, o “Rua Direita” é uma tentativa de traduzir o ser humano que vive no Brasil, um país não pronto, em busca de se compreender, mas cheio de mal-entendidos. É como se o Brasil fosse malnutrido e vivesse em estado de constante má-digestão ou fome. Não pensei em um objetivo ao escrever este livro, mas talvez o “Rua Direita” tenha servido como antiácido para nossos estômagos.

6. Qual o intuito de utilizar uma linguagem mais poética?

Anderson Borges Costa: Eu escrevo prosa como se escrevesse poesia. Às vezes construo parágrafos com rima, busco aliterações, procuro utilizar a linguagem para criar pontes com o conteúdo narrado. Não separo muito forma de conteúdo e acho que o lirismo em prosa também tem sua beleza.

7. Você tem uma rotina de escrita? Monta roteiros antes de escrever a história? Como funciona?

Anderson Borges Costa: Sou um escritor um tanto anárquico. Quando surge uma ideia, ela não vem pronta, com começo, meio e fim. Ela aparece como um momento, um recorte de história, que pode ser o início de uma trama, ou uma trama paralela no corpo final do texto. Via de regra, eu não sei que rumo vai tomar a história que escrevo. Na verdade, eu sou meu primeiro leitor, pois me leio no momento mesmo em que escrevo. 

8. Tem algum autor (a) que o influencia constantemente? 

Anderson Borges Costa: Sem dúvida. Eu me alimento de literatura, de vários autores. É difícil elencar todos os autores que me influenciam, mas, para não deixar sua pergunta sem uma resposta, posso dizer que meu norte aponta frequentemente para Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu, Oswald de Andrade e Guimarães Rosa. Mas meu norte é instável e sujeito a “atualizações” periódicas.

9. Tem projetos em andamento? Vejo o quanto aprecia referências e citações, qual a sua favorita?

Anderson Borges Costa: A escrita, para mim, é um processo fisiológico. Eu não vivo sem respirar, e eu respiro quando escrevo. Escrevo poemas e, no futuro, publicarei um livro com estes poemas. No entanto, a praia onde me sinto mais à vontade é a prosa, especialmente a narrativa curta, os contos. Este ano lançarei meu segundo livro. Após escrever “Rua Direita”.


Ingrid M. S. Nascida em 03 de outubro de 1993, é formada em Design de Moda, mora com o marido em uma cidade pequena e muito pacata no interior de Santa Catarina. Ama escrever desde criança, mas somente em 2014, resolveu publicar algo através do Wattpad.


É sonhadora, criativa, detalhista e muito teimosa, uma viciada em livros e chocolate, simplesmente apaixonada por dias frios e chuvosos. Gosta muito de 
desenhar, assistir comédias românticas e seriados. 


CONTATO: FACEBOOK -  GRUPO NO FACEBOOK - SKOOB - WATTPAD  - AMAZON

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9 comentários:

  1. Oi, não conhecia o autor e nem seu lviro, mas foi bom conhece-lo através da entrevista e ver seu metodo de escrita e suas inspirações. No entanto, sua obra não me instigou a ponto de querer lê-la, quem sabe, quando eu ler a resenha, não mude de ideia.
    bjus

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  2. Adorei!
    Escrever prosa como se fosse poesia e profundo. Não e brincadeira.
    E ele também é um fofo. Gostei de seus escritores favoritos, principalmente Clarice que amo.
    Parabéns e sucesso ai autor e ao blo
    Bj

    ResponderExcluir
  3. Adorei!
    Escrever prosa como se fosse poesia e profundo. Não e brincadeira.
    E ele também é um fofo. Gostei de seus escritores favoritos, principalmente Clarice que amo.
    Parabéns e sucesso ai autor e ao blo
    Bj

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  4. Oi Traça!

    Gostei de suas perguntas, mandou bem, ainda mais com um entrevistado tão simpático. Parabéns.

    Abraços.

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  5. Nossa, ele levou dez anos para escrever! Se o tema me atraísse eu ficaria ansiosa para conferir um livro que exigiu tanto do autor, achei bem legal ele ter ido algumas vezes ao local observar e também ter suas lembranças de criança a respeito do cenário. Adorei a entrevista.

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  6. Olá! Já ouvi falar do autor e do seu livro aqui no blog. Achei muito interessante a metáfora utilizada para, de certa forma, representar o Brasil. A utilização da cantiga para nomear os capítulos foi bem criativa também. Não sei se leria o livro no momento porque estou em outras "vibes", mas não dispenso uma futura leitura de Rua Direita.
    Beijos

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  7. Oii,

    Ainda não conhecia esse autor e fiquei interessada no livro dele, e a entrevista foi bem bacana por trazer um pouco sobre o autor e a sua obra. Parabéns.

    Beijos

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  8. Oi Ingrid! Amei a entrevista! A premissa do livro é bem legal, me identifiquei bastante. Desejo muito sucesso para ele, beijos!

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  9. Olá.
    Adorei a entrevista. As perguntas foram muito bem feitas e escolhidas. As respostas do autor também foram bem interessante. Adorei principalmente o objetivo de ter escrito o livro.
    Nunca tinha ouvido falar dele antes, mas achei a sinopse interessante.

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